Presidente da entidade, Dr. Ricardo Pacheco, apresentou com Lucy Mara Baú, presidente da ABERGO, os desafios da saúde mental no trabalho, do retorno de trabalhadores após afastamentos previdenciários e dos impactos da reorganização da jornada
A ABRESST participou, em 22 de outubro, da mesa-redonda “Nova NR-1 e Riscos Psicossociais”, realizada durante o 46º Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP), na Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo. A entidade foi representada por seu presidente, Dr. Ricardo Pacheco, que dividiu o debate com Lucy Mara Baú, presidente da Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos (ABERGO). A moderação ficou a cargo de Liane Mählmann Kipper, representante da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO).
A discussão reuniu perspectivas da Saúde e Segurança do Trabalho, da ergonomia e da engenharia de produção para abordar os desafios relacionados à aplicação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), especialmente no gerenciamento dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Em sua participação, Dr. Ricardo Pacheco destacou que a saúde mental dos trabalhadores precisa ser considerada na gestão dos riscos ocupacionais, e não apenas em iniciativas pontuais, como palestras e campanhas de conscientização. A abordagem discutida relacionou a avaliação dos fatores psicossociais à organização e à gestão do trabalho, com utilização da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), conforme aplicáveis, integradas ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Outro tema abordado foi o retorno ao trabalho após afastamentos previdenciários e as situações conhecidas como limbo previdenciário, que podem ocorrer quando há divergência entre a avaliação previdenciária e a avaliação de aptidão ocupacional. O debate ressaltou a importância de superar uma abordagem restrita à classificação entre apto e inapto, considerando alternativas como restrições temporárias, readaptação funcional e retorno assistido.
Nesse contexto, a gestão do retorno ao trabalho pode envolver a atuação conjunta do médico do trabalho, de profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho, de equipes multidisciplinares e das lideranças responsáveis pela organização das atividades. A definição de medidas de adaptação e o acompanhamento da evolução funcional do trabalhador podem ser incorporados ao planejamento preventivo da empresa, conforme as necessidades identificadas.
A reorganização da jornada também integrou a discussão, com destaque para os possíveis impactos de mudanças na carga horária quando não acompanhadas de revisão dos processos de trabalho. A redução da jornada, por si só, não elimina o risco de sobrecarga se as metas, o ritmo e a distribuição das tarefas permanecerem inalterados. Foram considerados aspectos organizacionais, biomecânicos e psicossociais, incluindo fadiga, intensificação do trabalho e riscos associados ao esgotamento profissional.
A participação da ABRESST no encontro integra a atuação institucional da entidade em debates sobre normas regulamentadoras, prevenção de riscos ocupacionais e saúde dos trabalhadores. A aproximação com organizações como a ABERGO e a ABEPRO permite reunir diferentes perspectivas técnicas sobre questões que envolvem a organização do trabalho e a aplicação das medidas preventivas nas empresas.
Realizado de 20 a 23 de outubro, na Escola Politécnica da USP, o ENEGEP 2026 teve como tema “Engenharia de Produção para a Transição Sustentável: Modelagem de Dados e Inovação” e reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de empresas para discutir questões relacionadas à Engenharia de Produção e suas aplicações.
Para a ABRESST, a participação de seu presidente na mesa-redonda reforça a presença da entidade nos espaços de discussão técnica sobre Saúde e Segurança do Trabalho, com atenção à integração entre prevenção, ergonomia, organização do trabalho e gestão dos riscos psicossociais.