O número de brasileiros que têm nos aplicativos sua principal forma de trabalho aumentou expressivamente nos últimos dois anos. 

Segundo dados divulgados pelo IBGE, em cooperação com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Unicamp, 1,7 milhão de pessoas executavam em 2024 atividades em plataformas digitais – um crescimento de 25,4% em relação a 2022, quando eram 1,3 milhão.

Os chamados trabalhadores plataformizados – motoristas, entregadores e prestadores de serviços – já representam 1,9% da população ocupada no setor privado. O levantamento revela também que 53,7% desses profissionais estão concentrados na região Sudeste, com predominância de pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto.

Apesar da expansão, o estudo confirma o avanço da precarização nas relações de trabalho, marcada por longas jornadas, rendimentos menores por hora e ausência de proteção social. 

Em média, os trabalhadores de aplicativos têm jornadas semanais 5,5 horas mais longas e recebem 8,3% menos por hora trabalhada em comparação aos não plataformizados. Além disso, mais de 60% não contribuem para a Previdência Social, o que os torna um dos grupos mais vulneráveis do mercado de trabalho.

Para o Ministério Público do Trabalho, o crescimento desse modelo reforça a urgência de uma regulação que garanta direitos mínimos e proteção social.

A ABRESST acompanha com atenção esse movimento e reforça a necessidade de políticas públicas e empresariais que assegurem condições dignas, saúde e segurança aos trabalhadores plataformizados, reconhecendo os riscos psicossociais e as novas dinâmicas de trabalho geradas pelas tecnologias digitais.