O ano de 2026 consolida um cenário de maior rigor técnico, documental e operacional na Segurança e Saúde no Trabalho. 

A convergência entre novas vigências de Normas Regulamentadoras, atualização de regras de multas e mudanças no acesso a serviços digitais amplia o risco de inconsistências entre documentos de SST, evidências operacionais e eventos transmitidos ao eSocial, exigindo atenção redobrada das empresas e dos profissionais da área.

Entre os principais pontos de impacto está a nova NR-1, que reforça o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como processo contínuo, rastreável e integrado à gestão. 

A partir de maio, ganha centralidade a inclusão dos riscos psicossociais no PGR, bem como a governança dos riscos envolvendo terceiros, demandando maior clareza conceitual, critérios técnicos de avaliação e registros que evidenciem a efetiva implementação de medidas de controle.

Outro destaque relevante é a entrada em vigor de atualizações normativas específicas, como o Anexo III da NR-35, que trata das escadas de uso individual, e o Anexo V da NR-16, que redefine critérios de periculosidade para atividades com motocicletas. Essas mudanças impactam diretamente laudos técnicos, inventários de risco, procedimentos operacionais e possíveis reflexos remuneratórios, exigindo revisões criteriosas e alinhamento entre documentos.

No campo previdenciário e do eSocial, as novas regras de multas, já vigentes desde 2025, ganham peso ainda maior em 2026. A inconsistência entre laudos, PGR, LTCAT e eventos enviados deixa de ser apenas um problema operacional e passa a representar risco financeiro concreto, reforçando a necessidade de governança, auditorias internas regulares e rastreabilidade das alterações de cenário.

Soma-se a esse contexto a mudança operacional promovida pela Receita Federal, com a substituição da procuração eletrônica tradicional pelas Autorizações de Acesso, que exigem aceite formal para produzir efeitos. Essa alteração impacta diretamente consultorias, contabilidades e operações terceirizadas, tornando essencial a adoção de checklists e controles para evitar bloqueios, atrasos e descumprimento de prazos legais.

Diante desse ambiente mais exigente, a ABRESST reforça que 2026 exige maturidade técnica, integração entre áreas e atuação estratégica dos profissionais de SST. 

Cumprir a legislação, manter documentos coerentes com a realidade operacional e assegurar a qualidade das informações prestadas aos sistemas oficiais não é apenas uma obrigação legal, mas um fator decisivo para a segurança jurídica, a sustentabilidade das organizações e a proteção efetiva da saúde e da vida dos trabalhadores.