O sistema previdenciário brasileiro enfrenta um cenário de forte pressão administrativa e judicial. 

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acumula 4.416.317 processos em tramitação na Justiça até 28 de fevereiro deste ano. Apenas em 2026, foram incorporadas 598.513 novas ações, o equivalente a um novo processo a cada 8,5 segundos.

O volume de judicialização ocorre paralelamente ao crescimento da chamada “fila do INSS”, que soma 2.793.618 requerimentos pendentes de análise administrativa.

Segundo o Painel INSS, do CNJ, os benefícios por incapacidade concentram a maior parcela das demandas judiciais, representando 36,2% do total de processos. Em seguida aparecem os temas assistenciais (15,3%), outras matérias previdenciárias (11,3%) e aposentadoria programada (9,2%).

O cenário evidencia o aumento da demanda sobre o sistema previdenciário e reforça a relevância dos debates relacionados à saúde do trabalhador, incapacidade laboral, prevenção de afastamentos e gestão dos riscos ocupacionais, especialmente diante do crescimento dos transtornos mentais e das doenças relacionadas ao trabalho registrados nos últimos anos.

Especialistas da área de saúde e segurança do trabalho observam que o avanço das discussões sobre incapacidade laboral também amplia a necessidade de integração entre políticas de prevenção, acompanhamento ocupacional e proteção social, em um contexto de mudanças regulatórias e aumento dos afastamentos no País.