Celebrado ao longo de março, o Mês da Mulher amplia as reflexões sobre os direitos femininos e os desafios que ainda persistem na sociedade.
Mais do que lembrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o período reforça a necessidade de discutir questões estruturais que afetam milhões de brasileiras, entre elas as diferentes formas de violência e desigualdade que também se manifestam nos ambientes de trabalho.
A violência contra a mulher não se limita ao espaço doméstico e pode ter impactos diretos na vida profissional. No ambiente laboral, situações como assédio moral e sexual, discriminação de gênero, desigualdade salarial, sobrecarga de responsabilidades e dupla ou tripla jornada comprometem a saúde física e mental das trabalhadoras.
Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Senado Federal, indicam que 46% das mulheres já tiveram o trabalho afetado pela violência, enquanto 42% relataram impactos nos estudos, alterando a rotina de cerca de 24 milhões de brasileiras.
Os registros de assédio no trabalho também cresceram nos últimos anos. Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), 142.828 novos processos por assédio moral foram registrados em 2025, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a Justiça do Trabalho contabilizou 12.813 novos processos por assédio sexual, cerca de 40% a mais que em 2024. As mulheres representam aproximadamente 70% das vítimas, evidenciando a persistência de práticas discriminatórias e relações de poder desiguais no ambiente profissional.
A violência de gênero no Brasil segue em níveis alarmantes. O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) aponta que 37,5% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência. Em 2024, foram registrados 71.892 estupros de mulheres, média de cerca de 196 casos por dia. Já os casos de feminicídio chegaram a 1.568 vítimas em 2025, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. As mulheres negras representam 62,6% das vítimas, o que evidencia desigualdades sociais e raciais que ampliam a vulnerabilidade.
Além da violência, a desigualdade de gênero continua presente no mercado de trabalho. Dados do IBGE e do Relatório de Transparência Salarial do Governo Federal mostram que mulheres que trabalham em empresas com 100 ou mais empregados recebem, em média, cerca de 21% menos que os homens. Elas também dedicam 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com familiares, quase o dobro do tempo gasto pelos homens, o que evidencia a chamada dupla jornada e seus impactos na saúde e na progressão profissional.
Diante desse cenário, especialistas e entidades da área de saúde e segurança no trabalho destacam a importância de políticas públicas, prevenção de riscos psicossociais e promoção de ambientes laborais mais seguros, inclusivos e saudáveis.
Para a ABRESST, o Mês da Mulher é um momento importante para reforçar o compromisso coletivo com a construção de ambientes de trabalho livres de violência, com igualdade de oportunidades e respeito à dignidade das trabalhadoras.